terça-feira, 26 de janeiro de 2016

nunca mais conversamos


aquelas tardes em tua companhia
hoje são brasas vivas na minha memória
um dia hão de ser pó e cinza
mas ainda estão queimando na fogueira das horas

o tempo me consome e a saudade me sufoca

estou esfarelando e com um sopro virarei nada
estarei no chão, quem juntará novamente meus átomos?
serei varrido e recolhido num monturo de poeira
lançado num cesto junto com pormenores seus

aquelas tardes que se estendiam além da noite
na madrugada entre gemidos trocados,
as palavras cortavam o silêncio do meu quarto
e cada vocábulo beijava minha alma.

saudade dos códigos que se traduziam em desejos

sinto falta de parolar com você
sinto falta da pessoa que eu seria
se nossas conversas não tivessem somente sido
palavras vazias em noites fartas de solidão.

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